África
Turismo como ferramenta para a conservação das espécies

África | Turismo como ferramenta para a conservação das espécies

[Publicado em 26/04/2019]

Primeira empresa de conservação que usa o turismo para ajudar a sustentar seus projetos, a Great Plains Conservation mantém camps e lodges na África, localizados em Botsuana, Zimbábue e no Quênia, com experiências que agradam diferentes tipos de turistas. Para os apaixonados, todos os acampamentos no Quênia e em Botsuana oferecem, na Bush Wedding, a organização de casamentos no autêntico estilo africano. Na Luxury Safari, os hóspedes são mimados com massagens e até mesmo uma câmera Canon e lentes e binóculos Swarovski em cada tenda.

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Nos camps e lodges em Botsuana, Zimbábue e no Quênia, a proximidade com a vida selvagem é o principal atrativo

A diferença é que a receita obtida com o turismo é dividida em três partes: conservação, ações junto às comunidades e no futuro crescimento de terras sob arrendamento para proteger as espécies em risco de extinção, como os 118 mil hectares privados adquiridos na Reserva Sapi, no Zimbábue, que anteriormente eram usados para caça.

Na entrevista a seguir, Dereck Joubert, um dos fundadores da Great Plains, fala mais do incrível trabalho realizado por eles:


Q TRAVEL – O que o levou a fundar a Great Plains Conservation?
DERECK JOUBERT – Depois de muitos anos filmando grandes felinos, olhei para os nossos prêmios em comparação com o quanto esses felinos estavam se reproduzindo na natureza. Quando nascemos, havia 450 mil leões no mundo; hoje são 20 mil. Quanto mais me aprofundava, mais percebia que o futuro seria a conexão de corredores para deslocamento. Então, começamos a Great Plains como uma maneira de arrendar fundos e conseguir esses corredores de conexão, pensando principalmente nos grandes felinos, mas consequentemente protegendo todas as outras espécies.

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Derek Joubert, um dos fundadores da Great Plains, e sua esposa Beverly


QT – Qual a diferença do Turismo de Conservação que você pratica do ecoturismo tradicional?
DJ – Nunca entendi muito bem o rótulo de ecoturismo. Nosso negócio é estabelecido como a primeira empresa de conservação que usa o turismo para ajudar a sustentar seus projeto de conservação. Por exemplo, não ficamos com um dividendo, ao contrário, dividimos nossas receitas em três partes: conservação, comunidades e no futuro crescimento da terra sob arrendamento. Também fazemos a reintrodução de rinocerontes.

QT – Como funciona a Fundação Great Plains?
DJ – Desenvolvi a fundação como uma forma de envolver nossos clientes. A cada ano, igualamos dólar por dólar o lucro da empresa com uma doação para a conservação na fundação. Com isso, não só movimentamos rinocerontes, como fazemos uma série de outros projetos de conservação. Por exemplo, arrecadamos dinheiro para lanternas solares para que as crianças das comunidades locais possam aprender à noite sem usar velas, porque algumas casas foram incendiadas por essas velas quando as crianças acabavam adormecendo.

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Joss Kent, CEO da Beyond, e Derek com um dos rinocerontes brancos realocados para uma área segura em Botsuana, dentro do projeto Rhinos Without Borders – Foto: David Murray

QT – Como espera expandir a área operacional nos próximos anos?
DJ – Existem algumas maneiras. Há alguns anos, encomendamos um estudo sobre o local onde os grandes felinos estavam há 15 anos e onde eles estarão daqui a mais 15, e onde a população humana poderá dominá-los e interferir. Então, estamos comprando terras nessas áreas. Podemos conseguir mais 2 milhões de acres em três anos. Mas não acho que temos capacidade para conseguir os 20 milhões que precisam de proteção com urgência.

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Conforto, serviço excepcional e intimidade com a natureza no Selinda Explorers Camp, localizado em Botsuana

QT – Apesar de todos os esforços, o risco de extinção de animais é assustador. O que precisa ser feito para mudar esse quadro com urgência?
DJ – Temos de mudar completamente a conservação. Para começar, ajustar o modelo para ver as pessoas que vivem em volta dos parques como parceiras, não como caçadores. Precisamos mudar o comportamento e educar, mas precisamos de tempo para fazer isso e salvarmos todos que pudermos. Também temos de reduzir a demanda e aumentar os riscos para os caçadores.

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Toques de sofisticação no Mara Plains Camp – contraponto para o encontro com a espetacular fauna do Quênia

QT – E como turistas de todo o mundo podem ajudar a Great Plains?
DJ– Preciso de um exército de embaixadores que possa nos seguir e entender as diferenças entre a caça e a conservação. Muitas vezes as pessoas pensam que, como um rinoceronte custa US$ 45 mil para se locomover, está fora de seu alcance, mas alguns livros ou uniformes custam US$ 150. Então há algo para todos que querem contribuir. Para aquele que não pode doar algum dinheiro, eu diria, por favor, organize-se contra a caça nos lugares de vida selvagem. Siga o nosso trabalho e você será bem informado e será capaz de argumentar sobre o quanto esses animais são tão importantes para nós.

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2 Comentários

  1. Avatar
    Miguel Safar
    17 de agosto de 2019 de 07:53 — Responder

    Gostaria de estar na África exatamente no Zimbábue, Butsuana e no Quênia
    Adoraria ver a migração dos Gnus
    Vocês teriam esta viagem que possibilitaria esta visão da migração dos Gnus!!!
    E outros “safáris” nestes países?

    • Queensberry Viagens
      Queensberry Viagens
      19 de agosto de 2019 de 07:37 — Responder

      Olá Miguel,
      Agradecemos seu contato!
      Verificamos em nosso sistema que sua última viagem com a Queensberry, foi através de uma agência de turismo, uma parceira que está apta a lhe esclarecer todas as dúvidas e dar seguimento a sua solicitação.
      Caso prefira ser atendido diretamente, nos informe para que possamos encaminhar sua solicitação para uma de nossas consultoras que dará continuidade ao atendimento via e-mail.
      As condições, valores e programação serão os mesmos, com a certeza da excelência em serviço e compromisso com a qualidade já reconhecidos de nossa Empresa.
      Atenciosamente,

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