Tahiti e suas ilhas
onde sonhos são reais

Tahiti e suas ilhas: onde sonhos são reais

[Por Carla Lencastre – Publicado em 07/06/2019]

O despertar preguiçoso em um bangalô sobre água azul turquesa transparente. Um mergulho. As primeiras braçadas do dia entre peixes a poucos passos da cama onde se sonhava poucos minutos antes. Sonhos que o Tahiti e suas ilhas transformam em realidade há 50 anos, desde quando foram inaugurados os primeiros bangalôs overwater da Polinésia Francesa, ainda na década de 1960. Outras ilhas fizeram o mesmo em outros mares e oceanos, os anos passaram e o remoto Tahiti, no Pacífico Sul, continua sendo um dos destinos mais fascinantes do mundo.

Moorea, Tahiti
Ilha mais próxima da capital Papeete, Moorea é perfeita para relaxar e admirar tanta beleza

Recentemente, vários hotéis de grandes redes instalados nas ilhas estão passando por bem-vindas reformas milionárias para atender ao público cada vez mais exigente do mercado de luxo. Novas pousadas estão surgindo, aliando conforto ao charme, e são boas opções para o visitante mais low profile. Tahiti, Moorea e Bora Bora formam o circuito clássico de primeira, às vezes única, viagem. Mas vale muito a pena ir além e desbravar destinos menos óbvios, como Raiatea e Taha’a, por exemplo. Estas cinco ilhas ficam no Arquipélago da Sociedade. No total são 118 ilhas distribuídas por cinco arquipélagos espalhados pelo Oceano Pacífico.

De Papeete, capital do Tahiti e endereço do aeroporto internacional, se vê o belo recorte da cadeia de montanhas de Moorea. É a ilha mais perto e a única à qual se pode chegar de ferryboat, em uma viagem de 30 minutos. Dá para contratar um passeio de um dia pela ilha ou investir em um day use em um hotel e aproveitar outros ângulos da paisagem.

Ainda que o panorama seja sempre maravilhoso, há que se reconhecer que Bora Bora é o principal cartão-postal das ilhas da Sociedade. Não por acaso está em todos os roteiros de qualquer um que se disponha a atravessar meio mundo para ir à Polinésia Francesa. A partir de Papeete, há voos diários de 45 minutos operados pela empresa regional Air Tahiti.

Bora Bora, com seu majestoso Monte Otemanu, corresponde a todos os clichês de “lugar paradisíaco”. O dolce far niente combina com mergulhos no mar e na piscina, que pode ser a do seu bangalô; snorkelling a partir da sua varanda ou em pontos mais distantes aos quais se chega de barco; passeios de caiaque e stand up paddle; massagens com aromáticos óleos locais em spas inspiradores, alguns com vista; refeições de sabores memoráveis.

O Otemanu, ponto culminante, fica 727 metros acima do mar azul vibrante. Ele pode ser visto do ar, do mar e dos diversos motus, como são chamadas as ilhotas nas lagunas, que separam as ilhas principais da imensidão do Pacífico Sul. Nos motus de Bora Bora estão instaladas as propriedades de luxo. O Otemanu também é visível de outras ilhas, como Taha’a.

Bora Bora, Tahiti
A 727m acima do mar azul vibrante, o Monte Otemanu é a atração mais visível de Bora Bora

Em Raiatea, o roteiro pode ser um pouco diferente. A ilha tem um centro movimentado, para os padrões locais, com murais coloridos nas paredes. Chega-se lá em voos regulares a partir de Bora Bora (45 minutos) ou de Papeete (1 hora, com escala em Bora Bora). Raiatea abriga o sítio arqueológico de Taputapuatea. De frente para o mar, em 2017 foi considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Taputapuatea é o centro do triângulo polinésio (os vértices são Nova Zelândia, Havaí e Ilha de Páscoa) e marca o início da expansão polinésia.

tahiti dance
Em Raiatea, de impressionante jardim de coral, uma amostra da sensual dança polinésia

O berço da civilização maori era um ponto de encontro de navegadores, que lá iam trocar experiências, levar oferendas e pedir proteção. Como não há muitos textos explicativos no local, o passeio é melhor aproveitado com um guia para contar as históricas das ruínas milenares que persistem em meio à vegetação. Elas foram restauradas na década de 1990 e continuam bem preservadas. Há também passeios pelas montanhas, que levam a cachoeiras.

De Raiatea chega-se à linda ilha de Taha’a, a cerca de 30 minutos (o tempo depende da embarcação). Seu jardim de coral é impressionante e de fácil acesso de barco. É só pegar o snorkel, entrar na água e se deixar encantar pelos corais e peixes coloridos.

Taha’a é a ilha da baunilha. O aroma e o sabor estão por toda a parte, no iogurte artesanal, no crème brûlée, no camarão flambado. É também a ilha do rum. Mesmo que não seja sua bebida favorita, prove um puro, em uma pequena dose sem gelo, como se fosse um single malt. Experimente o Avatea blanc ou o Mana’o, blanc ou ambre. É um sabor único, diferente dos runs caribenhos. E o rum com baunilha reúne os dois principais produtos de Taha’a.

Entre o iogurte do café da manhã e o rum de aperitivo antes do jantar, come-se muito bem na Polinésia Francesa de modo geral. Peixes e frutos do mar são apostas certas, sempre frescos e preparados de diversas maneiras. Para acompanhar, há vinhos franceses, mas considere conhecer os locais, como o Blanc de Corail, da vinícola Dominique Auroy. Os vinhedos ficam em Rangiroa, no ainda mais longínquo Arquipélago de Tuamotu.

SEGREDOS DA CAPITAL

Papeete costuma ser apenas porta de entrada e saída na Polinésia Francesa. Ainda que a cor da água e as praias não se comparem às das outras ilhas, vale investir mais alguns dias na capital. Dá para fazer passeios em 4×4. E também para ver o pôr do sol multicolorido al mare. Outro tour pode levar até Teahuapo’o, por exemplo, um dos pontos de surfe mais famosos do planeta, a 70 quilômetros de Papeete.

Aproveite a parada obrigatória na capital para assistir também a um espetáculo profissional da vigorosa e sensual dança polinésia, e ir ao Les Roulottes, uma área de food trucks. Ao ar livre, é um ambiente animado e informal, que fica mais gostoso com a brisa gentil da noite. 

Tahiti dance
Atrações de Papeete: espetáculos de dança*, pareôs e o espetacular pôr do sol em Teahuapo´o

*Foto: sarayuth3390/Shutterstock.com / * *Foto: EQRoy/Shutterstock.com

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