Pérolas negras: raras, lindas e valiosas

[Publicado em 27/03/2020]

Originárias em sua maior parte no Tahiti, as pérolas negras são raras e, por isso mesmo, valiosas. Por apresentarem essa beleza, digamos assim diferente, no mundo da moda, colares, brincos, pulseiras, anéis com pérolas negras ajudam a compor looks charmosos, elegantes e sofisticados.

Apesar do nome, nem todas são necessariamente da cor preta – pérolas nas cores cinza-escuro, verde-escuro, marrom-escuro também são consideradas negras. Popularmente conhecida como ostra-dos-lábios-negros, a Pinctada Margaritifera é a fonte dessa preciosidade da natureza. Mas, para conseguir uma naturalmente, é necessário abrir mais de 10 mil ostras! A fim de facilitar as coisas, um processo de cultivo lento e meticuloso foi criado pelo homem.

Primeiramente, a ostra escolhida é retirada do mar. A seguir, é cuidadosamente aberta para que um núcleo (esfera feita de material orgânico) pré-fabricado seja inserido dentro dela, juntamente com uma micropartícula da casca escura da ostra, responsável por dar a coloração cinza às pérolas. Depois de devolvida ao mar, o material estranho fará a ostra, gradualmente, cobrir o núcleo com nácar, substância perolada brilhante, resultando na pérola.

Os cultivadores podem esperar de dois a três anos após a nucleação para colher os resultados. Depois da remoção da pérola, as ostras podem ser recolocadas na água para que se recuperem antes de uma nova nucleação. A espécie morre facilmente e não pode viver em ambientes poluídos, o que responde por que o Tahiti, composto por ilhas envoltas por águas tão límpidas, é o lugar ideal para o cultivo.

Mesmo com todo o cuidadoso processo, apenas 30% das ostras produzem pérolas e apenas 10% destas possuem um padrão suficientemente elevado para serem vendidas. As pérolas negras geralmente são encontradas em tamanhos acima de 8 milímetros, com média entre 10 e 12 milímetros, e avaliadas por sua estrutura – as formas redondas e com maior lustre são as mais raras e preciosas (de uma colheita de 25 mil pérolas, apenas 3% são completamente redondas). Falhas externas, como depressões, riscos, marcas ou manchas, desvalorizam a pérola. Também são observados o brilho e a capacidade de refletir a luz.

UM MUSEU SÓ PARA ELAS

Muito embora a ilha de Manihi, no Tahiti, possua a maior concentração de viveiros de pérolas negras da região, é na capital Papeete que fica o museu Robert Wan Pearl, dedicado à história, aos mistérios, lendas e técnicas de cultivo das pérolas. O museu também exibe a coleção particular do seu fundador, o empresário Robert Wan.