Papo de quem viajou o mundo com: Marco Lourenço, Diretor da Queensberry

[Publicado em 25 de Julho de 2023]

“Viajar é bom até quando o destino não é aquilo que esperamos!”

Trabalhar com viagens é estar sempre em contato com um universo de histórias e possibilidades. De pessoa em pessoa, experiência em experiência, estamos contribuindo com a construção de novas formas de ver a vida.

Sendo assim, nada impede que em algumas delas, nós sejamos os(as) protagonistas! Afinal, só sabemos o quão incrível é viajar, porque também somos pessoas apaixonadas pelo mundo.

Nesse bate-papo, falamos com um BeFlyer que não só trabalha com viagens, mas é um viajante nato. Veja as dicas do Marco Lourenço, Diretor da Queensberry, desbravador dos 4 cantos do planeta, para inspirar sua jornada mundo afora. 

O que te inspira a viajar?

Lourenço: O que me inspira é conhecer culturas, hábitos e pessoas diferentes. Aprender que o mundo é muito diverso. O próprio Brasil, apresenta diferenças marcantes do Sul ao Norte. Imagina o mundo! São muitas maneiras de olhar a vida, religiões, histórias, arquitetura, arte, cultura, música, pessoas… 

Vivenciar essa diversidade é o que me encanta. 

Qual foi o destino que mais te marcou?

Lourenço: Eu tenho um certo fascínio pela Ásia e pelas várias fases da história da Ásia. Porque lá você tem o Oriente Médio, tem a Ásia Central, o Extremo Oriente, o Sul da Ásia, o Sudeste Asiático e o Norte. Eu fico muito encantado, por exemplo, com a religião dos países, porque influenciam muito o comportamento local. Então nos países onde o Budismo é a principal religião, existem manifestações muito diferentes. Em lugares como Japão, Laos, Cambodja, Vietnã, as cores, as formas, os ritos, os mitos, as figuras, a forma que as pessoas enxergam a vida, por esse viés religioso, é incrível. Tudo isso me chama muita atenção. 

E em relação a gastronomia? Também é parte importante da experiência

Lourenço: Claro! Você entende a história de um lugar, pela alimentação. Os países árabes, por exemplo, principalmente os que estão ali no Oriente Médio, estão em cima de um deserto. Então, a produção de alimento é difícil, é escassa. Na formação desses países o que existia no local para as pessoas se alimentarem? Tinha carneiro, ovelhas, tâmaras, frutas secas… A culinária se desenvolveu com essa raiz. Na Ásia, você tem o broto de bambu. Na Europa, existe uma fartura de queijos e vinhos. A Rússia também é muito interessante, porque é o país com a maior extensão territorial. Entre a Rússia Ocidental e a Rússia Oriental, tem 200 mil formas de se alimentar. 200 formas e influências culturais diferentes. Então a gastronomia conta também um pouco da formação desse país e é um barato poder conhecer.

O que você gosta de fazer primeiro quando está conhecendo um novo destino?

Lourenço: A primeira coisa que eu faço é procurar me informar sobre a história, a cultura, o que o país oferece de interessante… Eu gosto de museu, de galeria de arte, caminhar pela cidade, observar a arquitetura. Uma atividade que sempre recomendo é: todo lugar do mundo tem uma rua de pedestres e, nessa rua, sempre tem um café. Então, a melhor forma de ver o comportamento da população local e interagir com quem vive ali, é ir a um café, pedir algo para tomar e ficar observando as pessoas passando. Perceber a forma de se vestirem, de se comunicar, os olhares, como caminham, como exploram seus passeios. Esses comportamentos mudam muito de um lugar para o outro. 

O que todo viajante precisa saber?


Lourenço: Quem tem alma de viajante entende o que eu vou dizer. Quando você sai da sua casa, você tem que passar uma borracha em tudo aquilo que você aprendeu, tudo que você sabe e ter em mente que você está indo para um lugar onde os hábitos e a cultura são totalmente diferentes. A mudança é tão radical que muitas pessoas acabam se assustando. Quando você entende, por exemplo, o porquê da divisão de castas, na Índia, como as roupas femininas nos países de cultura árabe protegem as mulheres, coisas assim, você enxerga de um jeito diferente e isso é muito legal. 

Qual foi a experiência mais inacreditável que você viveu?

Lourenço: Uma experiência doida foi em uma viagem pro Vietnã. Peguei um cruzeiro no Rio Mekong, que é a espinha dorsal do Sudeste Asiático e o navio ia parando de cidade em cidade do interior do interior do Vietnã e do Camboja, onde a cultura alimentar é muito tradicional. No mercado, os animais são vendidos vivos, porque é a melhor forma de você conservar. Peixes, coelho, enfim… E tinha uma barraca dos exóticos, com aranhas, escorpião, e você se pergunta, mas como esse povo come esses bichos? Então eu entrei na onda, experimentei um escorpião. Foi uma surpresa. Tem um sabor forte de alho e a textura lembra, um pouco, um camarão. A agricultura familiar é muito comum no Sudeste Asiático, os mercados são muito coloridos, é muito legal. 

Diante disso tudo, qual o seu próximo destino?

Lourenço: Agora quero ir pra Argélia. O que me instiga é que, lá, eu não tenho a ideia de como vai ser, porque é um país muito fechado, que abriu agora suas fronteiras. Fora que é África, né, a origem. Todos nós temos um pé na África, essa história é real. O continente africano é um espetáculo. Então quero muito fazer essa viagem. 

Legal! E pra quem não começou a viajar ainda, qual é a dica?


Lourenço: Não existe um ritual de iniciação para começar a viajar. É só ter o desejo. Existem várias formas! Hoje eu consigo viajar de maneira bastante confortável, mas a minha primeira viagem foi com 17 anos, pelo Brasil. Assim que eu acabei a faculdade, eu fiz de tudo: mochilei, pedi carona, fiquei na casa dos outros, passei vários apertos, mas tudo isso construiu a minha cultura. Ao longo da vida, eu fui pra América do Sul, América do Norte, Canadá… Ao longo dos 35 anos que eu trabalho com turismo, eu consegui viajar a Europa inteira, fui pra Ásia. O mundo é muito complexo, cada parte dele, a Europa, Oceania, as ilhas paradisíacas, é muita coisa. Viajar ensina a gente a conviver com o diferente, você não precisa concordar, mas aprende a respeitar, a buscar entender. As nossas verdades não são unânimes, existem outras que funcionam por aí e é maravilhoso conhecer. Então, se você ainda não começou a viajar, a dica é: comece, porque é bom demais. 

Mas a grande dica é: Procure um especialista, um Agente de Viagens e saia com tudo organizado. Garanto que vale a pena! 

Gostou dessa história? 
O que as viagens despertam em você? Não é incrível saber que podemos proporcionar isso a tantas e tantas pessoas? 

Bom, com essa dose de inspiração, só podemos desejar um FELIZ DIA DO VIAJANTE. Que a gente possa, assim como o Lourenço, inspirar pessoas a conhecerem o mundo e carregar nas nossas bagagens, muito além de acessórios, as histórias e ensinamentos que só uma experiência de verdade é capaz de proporcionar.