IRÃ: ONDE O MUNDO PERSA E O ISLÃ SE FUNDEM

[Publicado em 13 de Julho de 2022]

Seja o que for que você tiver ouvido ou lido sobre o Irã, quando colocar os pés no país, vai se dar conta de que ainda sabe muito pouco sobre ele. E o melhor: terá todas as suas expectativas superadas. Na realidade, vai se surpreender com a cultura, a arquitetura, a monumentalidade e beleza das cidades e, principalmente, com a grande hospitalidade e gentileza de sua população.

Vai encontrar um país muito além de qualquer expectativa, com palácios, mesquitas, madraças e pontos turísticos bem preservados ou em restauração. Mas, como o turismo internacional é uma novidade por lá – turistas estrangeiros ainda chamam a atenção nas ruas –, é preciso ter paciência com padrões de atendimento um pouco inferiores aos que estamos acostumados, com museus sem serviços de audiofone, por exemplo, e com a falta de placas e indicações em inglês – pouca gente fala a língua no país. Nada que a opção por um turismo organizado, com guias locais e assistência permanente, não possa superar.

Como brasileiros, temos uma vantagem: os iranianos amam nosso futebol e nossos jogadores. Falar sobre eles é sempre um passaporte para a alegria. Outra alegria são as compras. Mesmo com a infinidade de pequenas lojas, em um microcosmo de aromas e sabores, os grandes bazares iranianos são tranquilos e agradáveis, sem os excessos e insistências dos vendedores e com ótimas opções além dos óbvios, apesar de espetaculares, tapetes. Há cerâmicas bem trabalhadas e tecidos lindos, feitos com fios de ouro, joias refinadas, artesanato de primeira, enfim, tantas coisas que fazem a festa de qualquer brasileiro.

ESCALA CRESCENTE DE FASCINAÇÃO

Se você começar o roteiro por Shiraz, localizada no sul do país, vai aproveitar a viagem em uma escala crescente de fascinação rumo ao norte. Nessa charmosa cidade, o que se vê é um espetáculo de grande beleza, onde se destacam o histórico Jardim de Eram, do século 19; as tumbas de Hafez, homem santo que recitava o Corão de memória, e Saadi, considerado um dos melhores poetas místicos do Islã; e a linda Mesquita de Nasir ol-Molk, conhecida como Mesquita Rosa ou Pink Mosque, que encanta com seus lindos e coloridos vitrais. Em Shiraz também fica o mais famoso centro de estética do país. No lugar, se veem muitas iranianas em recuperação de cirurgias de redução do nariz, que é muito barata e de fácil acesso, sendo uma verdadeira obsessão das mulheres que a iraniana Marjane Satrapi retrata na premiada série de história em quadrinhos Persépolis, posteriormente transformada em longa-metragem de animação indicado ao Oscar.

PERSÉPOLIS E PASÁRGADA

Para conhecer as origens do Irã atual é preciso viajar na história até o antigo Império Persa, fundado em 539 a.C. por Ciro, O Grande. Considerado uma das primeiras superpotências do mundo antigo, o Império Persa se notabilizou pela espantosa expansão territorial, que, no auge, ia da Macedônia até a Índia. Desse tempo de glória e conquistas, que inclui as famosas guerras travadas com os gregos, ficaram os vestígios de duas cidades: Persépolis e Pasárgada.

Da antiga Persépolis, capital do império persa fundada em 518 a.C., sobraram as ruínas do grande palácio, com esculturas, muralhas e pequenos jardins, reconhecidas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Próximo de Persépolis, na província de Fars, encontra-se Naqsh-e-Rustam, uma antiga e impressionante necrópole persa construída para abrigar as tumbas dos grandes reis persas: Dário I, Xerxes I, Artaxerxes I e Dário II. Já no sítio arqueológico de Pasárgada, o destaque é a grande tumba provavelmente erguida para Ciro II, o Grande.

Com o declínio do Império Persa, os árabes conquistaram a região, em 642 d.C. A conversão dos habitantes ao islamismo suprimiu o zoroastrismo, a religião tradicional, e deu origem à construção de mesquitas e palácios típicos do mundo islâmico.

NA CIDADE DE ADOBE

Nos roteiros pelo país, vale incluir uma visita à milenar Yazd. Uma das maiores cidades de adobe do mundo, com construções que utilizam tijolos feitos com terra, palha e água, e que são moldados e secados ao sol, Yazd é reconhecida pela técnica de tecelagem de tapetes e por ser o local onde foi instalada a primeira torre de vento, um tipo de ar-condicionado desenvolvido milhares de anos atrás para capturar a mais leve brisa a fim de aliviar o calor do deserto. Yazd também se torna singular pelos seus templos de fogo com chamas que nunca se extinguem, um símbolo do zoroastrismo.

MESQUITAS ESPETACULARES

Com seus belos edifícios e largas avenidas, Isfahan, uma das cidades mais antigas e para muitos a cidade mais bonita do país, devido a beleza de sua arquitetura, foi também muito importante durante a Rota da Seda e reserva boas surpresas aos visitantes. A Praça do Imam, reconhecida como uma das mais grandiosas do mundo, as mesquitas do Imam e Sheikh Lotfollah, e o Palácio de Ali Qapou enchem os olhos dos turistas.

Mas são mesmo as onze imponentes pontes sobre o Rio Zayande Rud a obra mais impressionante da cidade. Iluminadas à noite, criam um ambiente mágico, que evoca histórias sobre tapetes mágicos, sultões e paixões proibidas.

JARDINS E PEREGRINAÇÕES

Entre Isfahan e Teerã, a capital do país, encontram-se duas cidades imperdíveis: a histórica Kashan, famosa por sua água-de-rosas, belos e caros tapetes, e seus belos jardins, e Qom, considerada uma cidade sagrada pelo Xiismo, ramo da crença muçulmana que tem a convicção de que a sucessão religiosa e política do profeta Maomé, deveria ter se restringido aos membros de sua família e descendentes.

Apesar da impressionante grandeza da arquitetura do séc. XIX presente em Kashan, são os magníficos Jardins Fin, considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a principal e mais visitada atração da cidade. Construído em 1592, é o maior dos jardins persas totalizando uma área de 2,3 hectares que contempla um jardim principal com numerosos ciprestes cercados por muros. Belas fontes e piscinas, como na maioria dos jardins persas da época, também estão presentes trazendo a esse local especial, uma atmosfera charmosa e tranquila.

Principal centro religioso do país, a cidade de Qom é um importante local de peregrinação pois lá encontra-se o Santuário Fatima Masumeh, filha do sétimo imã – autoridade religiosa do islamismo – Musa al-Kadhim que, conhecida e reverenciada por sua piedade, morreu envenenada devido ao ataque à sua caravana quando estava a caminho de visitar seu irmão. O local é tão importante que uma representação do santuário foi gravada nas moedas de 50 rials iranianos. Grande parte desse magnífico complexo abriga dezenas de seminários e escolas religiosas.

A CAPITAL DO IRÃ

Rumo ao norte, a escala crescente de fascinação atinge seu auge em Teerã. Centro cultural, industrial e financeiro do país, a capital é uma das cidades mais cosmopolitas do país, e, assim como nas demais cidades iranianas, exige algumas adaptações por parte dos viajantes, mesmo aqueles já acostumados a viajar para países de cultura islâmica. Além das questões religiosas, o país possui um governo extremamente conservador que dita regras de costumes, etiqueta e estilo de vida a todos os cidadãos. A começar pelo acesso à internet que costuma ser instável, e por alguns sites que são bloqueados pelas autoridades.

Vida noturna e bebidas alcoólicas também não são permitidas, mesmo em Teerã. As festas e baladas só acontecem no interior das casas desde que o rigor nos costumes seja obedecido, incluindo a restrição às vestimentas, impostas com a Revolução Iraniana de 1979. É como se uma parte dos iranianos – mais ocidentalizada – vivesse uma vida dupla: uma em público e outra dentro de seus lares, costume que Marjane Satrapi também retrata em Persépolis.

À noite, a melhor opção, portanto, é jantar nos restaurantes disponibilizados pelos hotéis. A culinária é a típica do país, com pouca referência ocidental, quase nenhuma massa ou carne bovina, mas com muito kebab de carneiro ou frango, pratos à base de berinjela e grão de bico e deliciosas combinações de salgado e doce.

Teerã tem pelo menos duas atrações turísticas que valem a visita: o complexo de Palácios do Jardim Sa’ad Abad, que ocupa uma superfície ajardinada de aproximadamente 410 hectares, e um verdadeiro tesouro persa guardado no Museu Nacional das Joias, que fica no subsolo da antiga sede do Banco Central. Protegido por um esquema de segurança rigoroso e inviolável, lá encontram-se várias coroas, tiaras, pedras preciosas e algumas das peças mais valiosas do mundo como o diamante rosa com 182 quilates!

VÉU PARA TODAS

Nenhuma mulher anda nas ruas do país sem o hijab, o véu iraniano – inclusive as turistas. Essa regra vale também para as meninas a partir dos 7 anos. As moradoras, porém, têm um traquejo e uma elegância no uso que logo as distinguem. Vale dizer que o véu não esconde a beleza da mulher iraniana, sempre bem cuidada e maquiada, mas a obrigatoriedade não agrada a todas.

Com exceção a essa questão da vestimenta, as iranianas têm praticamente qualquer outro direito como na maioria dos outros países: dirigir, votar, ser eleitas em cargos políticos, estudar e trabalhar livremente.

INVASÕES E OCUPAÇÕES

Depois que os árabes invadiram a Pérsia, muitos seguiram o mesmo caminho, inclusive os mongóis, de tal forma que por mais de 8 séculos ela deixou de ser uma nação independente. No século 19, Rússia e Inglaterra dividiram seu poderio na região, que se tornou ainda mais atraente com a descoberta do petróleo, fato que atiçou a cobiça também dos americanos. Em 1925, o oficial Reza Khan coroa-se xá Reza Pahlevi. Ele, posteriormente, muda o nome do país para Irã. Idealizado por Pahlevi, o processo de ocidentalização ocorreu até 1979 quando os religiosos fizeram a Revolução Iraniana, tornando o país um dos arqui-inimigos dos americanos.

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