[Publicado em 30 de Setembro de 2022]
Riquíssimo em história, esse singular país localizado na Ásia Central, é pouco conhecido e explorado pelos brasileiros. Terra de grandes cidades da Rota da Seda, o país que é dono de uma natureza bastante diversificada e cheia de contrastes, é marcado também por uma intensa mistura de diversos povos: árabes, turcos, mongóis, persas, russos e vários outros grupos étnicos, resultando num povo com originalidade ímpar.
Durante toda a sua história, o país foi dominado pelos persas, depois russos até que se tornou independente em 1991. A principal fonte econômica é a agricultura, em especial a cotonicultura – cultivo de algodão. Conheça nessa matéria, um pouco mais sobre as míticas cidades desse encantador destino onde o comércio global tem fortes raízes e que está profundamente entrelaçado com a história do mundo como conhecemos hoje. Com certeza, um destino que vai superar suas expectativas e te surpreender!
TASHKENT – PORTA DE ENTRADA DO PAÍS
Capital do país, a moderna e cosmopolita Tashkent é uma cidade com vastas avenidas, grandes edifícios ao estilo soviético, mercados, mesquitas, parques e jardins bem cuidados por todos os lados. Sem falar na simpatia e gentileza do povo uzbeque: gente feliz e de bem com a vida!

Enquanto pertencia à União Soviética, Tashkent era conhecida como a “capital cultural” e como a “Paris da Ásia Central”. Quarta maior cidade depois de Moscou, São Petersburgo e Kiev, sofreu ao longo da sua existência com grandes devastações como o terremoto avassalador de 1966 que causou grandes estragos. Tashkent foi toda reconstruída e essa foi a chance dos russos imprimirem a sua face na arquitetura. É tudo espaçoso, em linhas retas e cores sóbrias.

Centro Internacional de Congressos 
Monumento Amir Timur
É em Tashkent que se pode encontrar a versão mais antiga do Alcorão, bem guardada na Mesquita da Sexta-feira, uma das mais de 400 mesquitas da cidade. Como um povo amante da arte e da história, a cidade também é repleta de teatros, óperas e museu. Estando lá, visite o Museu da História de Amir Timur, um dos mais importantes do país. Um prédio baixo, em formato circular e com um enorme domo azul. No interior, manuscritos, armas, roupas e moedas que contam um pouco da história do país.

Museu Amir Timur

Museu das Vítimas da Repressão Política 
Mesquita da Sexta-feira
Muito interessante também, são os mercados Chorsu Bazar, na parte mais antiga da cidade, e Alay Bazar que traduzem muito da cultura local. O dia a dia dos uzbeques pulsa pelos corredores entre uma barraca e outra. A qualidade dos produtos e das frutas – com destaque para os figos amarelos e as uvas –, enchem os olhos. Prove enquanto ainda está quentinho, o delicioso pão “nan”, muito presente nas inúmeras barracas. É delicioso!

Chorsu Bazar
KHIVA – UM MUSEU A CÉU ABERTO
A mais intocável e menos turística das cidades uzbeques, que sobreviveu às investidas dos mongóis e ao domínio soviético, Khiva é cercada por poderosas muralhas. Construídas ao longo dos séculos, suas fortificações, palácios, mesquitas, madraças, mausoléus e minaretes, deram origem à cidade intramuros Itchan-Kala, um verdadeiro museu a céu aberto repleta de edifícios históricos restaurados onde a arquitetura islâmica pouco mudou desde a época medieval e que é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Arquitetura histórica de Itchan-Kala, cidade intramuros de Khiva
Cartão postal da cidade e coberto por azulejos verdes e azuis que contrastam fortemente com as construções de tijolos de barro ao redor, o inacabado minarete Kalta Minor é o símbolo da cidade. Foi construído por Mohammed Amin Khan, o governante de Khiva, que queria uma construção tão alta que pudesse ser vista desde Bukhara, que fica a 400 Km de distância. O projeto, chegou ao fim três anos após o início da obra, quando Mohammed foi morto em uma batalha e o que restou foi a base do minarete de 26 metros de altura.

Bem próximo do Kalta Minor, apresentações circenses e de música local, além da venda de produtos por simpáticas artesãs uzbeques, acontecem na madraça (antiga escola religiosa) Muhammad Rakhim-Khan, uma das maiores da Ásia Central e a maior de Khiva. Ali eram ministrados ensinamentos baseados em ciências, matemática, geografia e astronomia.

Madraça Muhammad Rakhim-Khan
BUKHARA – UM OÁSIS NO DESERTO
Merecidamente reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, conhecer essa incrível cidade e andar por suas ruas medievais é a certeza de vivenciar a atmosfera de um sublime passado persa. Era um dos principais pontos de descanso da Rota da Seda por estar localizada próxima à uma importante região agrícola além de dois desertos, o Kyzyl Kum ou “Areias Vermelhas”, e o Kara Kum ou “Areias Negras”, já no país vizinho, Turcomenistão.

Segundo alguns arqueólogos, Bukhara tem mais de 2.500 anos de história e é uma das cidades mais antigas do mundo. Povoada inicialmente pelos persas, foi cobiçada também por vários povos e acabou sendo invadida por líderes lendários como o imperador mongol Gengis Khan e, possivelmente, tenha sido dominada durante um período por Alexandre, o Grande.

Cercado pela belíssima madraça Mir-i Arab e pela mesquita Kalon, um dos principais monumentos da cidade, o Minarete Kalon, que servia como torre de vigia e orientava as caravanas que viajavam pela Rota da Seda, está de pé desde o ano 1127 e é do alto do minarete que nos alto-falantes, os fiéis são chamados para orações várias vezes ao dia.

Madraça Mir-i Arab
A cidade é recheada de mesquitas e mausoléus, além de um pitoresco comércio com joias, os tradicionais, famosos e caros tapetes de Bhukara, e os preciosos bordados Suzani, que segundo a tradição, serve de amuleto para a felicidade dos novos casais.

SAMARCANDA – 50 TONS DE AZUL
Essa histórica cidade foi uma das principais passagens da Rota da Seda. Também muito respeitada como centro de instituições de ensino, suas grandes fortificações e, também a arquitetura islâmica do século 15 com magníficos detalhes que valorizam as formas geométricas e a escrita – representação de pessoas e figuras consideradas sagradas são evitadas – são as atrações que fascinam os viajantes há séculos.

O azul dessas lindas construções tem significados importantes: afastar o mau olhado, simbolizar o luto – antigamente o azul era a cor do luto na Ásia Central – e a água, um recurso particularmente escasso na região, representando então a riqueza da cidade. Por isso, Samarcanda também é conhecida como a “Cidade dos 50 tons de azul”.
Já foi no passado a capital do país, e, atualmente, é a segunda maior cidade do Uzbequistão. Seu cartão postal é a Praça Registan, coração da cidade antiga, cujo nome significa “lugar arenoso” em persa. Era um local de execuções públicas e onde as pessoas se reuniam para ouvir proclamações reais. Ali, o destaque vai para as três antigas escolas islâmicas, também conhecida como madraças: Ulugh Beg, hoje uma galeria de arte e exposição de artesanatos locais; Tilya Kori, localizada no centro da praça e com uma sala enorme toda em ouro, e Sher-Dor, com figuras de leões e tigres na fachada, decoração pouco usual na arte islâmica. Todas elas impressionam pela grandeza fazendo desse local um dos pontos altos da viagem. Vale conferir o fantástico show de luzes nesse sítio classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO, tornando a noite especial e simplesmente mágica!

Praça Registan

Estando em Samarcanda, não deixe de visitar o Mercado Siab. Instalado junto à Mesquita Bibi-Khanym, um dos monumentos mais imponentes da cidade, este vibrante e maior mercado da cidade, é um dos bazares mais antigos da Ásia Central. Em funcionamento há mais de 2.000 anos, vende todo tipo de produtos agrícolas com origem no Uzbequistão, incluindo frutas, legumes e especiarias que perfumam o local com seus aprazíveis aromas. Localizado em pavilhões cobertos, pode ser visitado em qualquer época do ano. Uma experiência local enriquecedora!

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